10/07/2017

Resenha: Meu Coração e Outros Buracos Negros


Título: Meu Coração e Outros Buracos Negros
Autor(a): Jasmine Warga
Editora: Rocco Jovens Leitores
Páginas: 312

Um tema amargo, mas necessário. Em Meu coração e outros buracos negros, a estreante Jasmine Warga apresenta aos leitores um romance adolescente que aborda, de forma aberta, honesta e emocionante, o suicídio. Aysel, a protagonista, enfrenta problemas com a família e os colegas de escola, como tantos jovens por aí, e, aos 16 anos, planeja acabar com a própria vida. Mas quando ela conhece Roman num site de suicídio, em busca de um cúmplice que a ajude a planejar a própria morte, num pacto desesperado, a vida dos dois literalmente vira de cabeça para baixo. Aos poucos, Aysel percebe que seu coração ainda é capaz de bater alegremente. E ela precisará lutar por sua vida, pela vida de Roman e pelo amor que os une, antes que seja tarde.

Tinha algum tempo que eu queria ler esse livro pois sempre achei a capa e o titulo super fofinho, e como uma boa amante de YA que sou o livro já havia me pegado também pela sinopse. O que eu não esperava encontrar era uma história tão bonita em meio a todo o caos que é a vida da protagonista.

Aysel tem 16 anos e carrega para si o peso da culpa por algo que ela não fez, mas acredita de todas as formas que ela tem parte de culpa pelo que houve. Tenho certeza que todo mundo já se sentiu assim em algum momento da vida e imagina como deve ser esse sentimento na fase mais confusa de uma pessoa (a adolescência, caso você não tenha percebido). Ela se sente triste, sozinha e julgada por sua família e colegas de escola (não amigos, pois isso ela não tem) e a cada dia que passa isso a consome mais e mais. A personagem descreve isso como uma lesma negra que vai sugando tudo dela. Sim, claramente ela tem depressão mas nunca procurou ajuda e acredita que a unica solução para si é a morte. O problema é que é muito difícil fazer isso sozinha e é por isso que ela sempre visita um fórum de suicídio (onde pessoas encontram parceiros para concretizar o ato) na esperança de encontrar alguém que possa fazer isso com ela e é a partir daí que a história começa, com uma contagem regressiva até o dia em que Aysel e Roman (seu parceiro) finalmente vão poder concretizar o que tanto desejam: se matar.


Aysel e Roman tem menos de um mês para o dia escolhido para o suicídio e eles decidem se conhecer um pouco nesse meio tempo. De inicio da para entender os motivos de Aysel, mas ao longo da história com mais detalhes as coisas vão se encaixando muito melhor e eu como leitora fiquei pensando que aquilo não parecia realmente um motivo. Não quer alguém tenha que ter um motivo de verdade para se matar, mas eu não conseguia compreender como ela poderia estar daquele jeito sendo que algumas coisas realmente pareciam que era ela própria que não se esforçava para melhorar. Mas eu nunca tive depressão então não sei realmente como a doença age na pessoa, o que faz ela fazer ou não de sua vida. Eu só conheço do pouco que li em livros, vi em filmes e séries então é claro que a minha percepção é falha. Por isso torci tanto para que ela resolvesse mudar de ideia ao longo da história e com Roman sendo um cara tão legal, ao seu modo, cada vez que chegava próximo ao dia escolhido eu ficava um pouco ansiosa para saber o que iria ocorrer.

Roman me surpreendeu, principalmente ao final do livro. Ele se escondeu a maior parte da história mesmo naqueles momentos em que ele estava sendo honesto com a personagem. Muito sobre ele ficou implícito nas suas atitudes e que só fazem real sentido ao final da obra. De qualquer forma, como o livro é narrado em primeira pessoa pela Aysel e eles não se encontram o tempo todo eu senti um pouco de falta de ter mais desse personagem.
Deve ser sinal do universo, Se a única vez que você tem sorte é quando esta planejando suicídio, certamente é hora de ir embora. 

Claro que se tratando de suicídio o livro é bastante denso, mas a autora conseguiu equilibrar para não deixar uma leitura pesada. Tem momentos que realmente me senti cheia de esperança pelos personagens e torcendo para que eles pudessem ver, de fato, que a morte não é a solução para os problemas.  Dos que li do tema até agora esse foi o que mais gostei, principalmente porque existe em determinado momento um romance entre os personagens e que foi algo tão natural que eu até me esquecia o real propósito dos dois terem se conhecido.

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