12/07/2016

Resenha: A Rebelde do Deserto

Título: A Rebelde do Deserto
Autor(a): Alwyn Hamilton
Editora: Seguinte
Páginas: 288
Onde comprar: Submarino
Mais informações no Skoob
O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os djinnis ainda praticam magia. De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher.

Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele.

Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo — é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por lhe revelar o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir.


Amani é uma órfã que vive com sua tia e marido e um amontoado de primos vivendo num cubículo sob condições precárias e indignas. Não sentir identificação com ela imediatamente é impossível, visto que não existe leitor que não vai sentir empatia por alguém tão sofrido assim. Então a partir desse ponto esperamos que Amani consiga o que quer: sair da Vila da Poeira e ir para um lugar melhor. 

Logo de cara, nem é preciso dizer que a história se passa no universo do oriente, porque não existe um leitor que não vai identificar as referências. Deserto, sheema, djinni, poligamia, sociedade machista... a narração toda tem um ar quente, árido e de pó. Porém, Amani ainda é uma garota diferente das que existem em Vila da Poeira. Ela se mete em concursos de tiros num lugar feito para homens, quando a descoberta disso poderia custar sua vida. Mas mesmo assim ela faz e não tem medo. 


Ela é ignorante sobre o mundo sendo que ela não cresceu em outro lugar a não ser na Vila da Poeira, mas ela é esperta, irônica, dotada (porque vamos combinar que não é qualquer um que pode sair atirando por aí), e de certa forma corajosa. De certa forma, porque tem um momento que ela deixa de ser corajosa para agir como as protagonistas egoístas que estão rodando por aí; aquelas que pensam em se safar em primeiro lugar e que se danem os outros. Já conheci uma Mare, Adelina, e agora Amani, que por um momento dão uma de bitch. Só reflete ao que estamos vivendo e indo viver onde o “olho por olho e dente por dente” impera, e isso me frustra e me decepciona. 

Logo no primeiro capítulo conhecemos Jin, o nosso candidato a par romântico, e claro que ele seria misterioso, apaixonante e super confiante. Não existe coisa pior do que um leitor se provar certo sobre alguma teoria, e à medida que eu ia lendo eu podia apostar uma coisa envolvendo o Jin. Só que foi no clímax que eu me senti sem graça pela minha suspeita estar errada. Ainda assim passou por cima do que eu esperava, mas conseguiu me surpreender. Aleluia! 

Só de ter uma personagem forte em algum livro, que seja a protagonista ou de destaque, eu já intitulo o livro como feminista. Mas aqui em A Rebelde do Deserto a autora quis passar tanta autoridade para a Amani que em algum momento Jin deixou de ter voz. Só acho que, para mostrar poder a mulher, não precisa enfraquecer um homem. E para quem reclama de poucas mulheres de destaque e relevância não poderá reclamar desse. Tem uma general e outras garotas realmente demais. 

Sobre o romance de Jin e Amani: perfeito! Meu tipo de romance envolvendo aventura é exatamente esse. Tem um pozinho de romance ao ponto de não enjoar e querer mais. Nada de amores escandalosos e declarações surreais. Num segundo livro o desenvolvimento do relacionamento dos dois nem vai estar esgotado, porque ele vai estar se desenvolvendo pouco a pouco, e isso é incrível. 

Foi uma leitura realmente gostosa acompanhar a jornada de Amani. Isso o que é um livro de aventura e ação, rico em cenários, fantasia e mitologia. Só que mais da metade para o final, o livro que seria cinco estrelas para mim, se tornou três, apenas pelos eventos que a autora decidiu tomar no clímax e o desfecho. Definitivamente senti como se um balde de água fria fosse jogado na minha cabeça. 

Está aí X-Man, Estilhaça-me, Rainha Vermelha, Jovens de Elite, e mais livros contendo show de poderes. Não sei se foi porque eu cansei dessa temática, mas isso me frustrou, embora depois eu tenha quebrado a cabeça procurando antecedentes que me fizesse adivinhar qual o poder que certo personagem teria. Não conseguir adivinhar e me surpreendi ao descobrir do que se tratava, e achei demais. Me frustrou outra descoberta meio desconexa, que “como estatisticamente ela foi descobrir isso?”. E de repente Amani tem um momento altruísta camuflado de egoísmo, que legal! Acho que avacalharam o livro todo pelo clímax. Santa tropeçada!

Abre parênteses. Não que nesse livro tenha isso, mas estou saturada do conceito “escolhido”. Acho que todas as pessoas podem fazer a diferença, mesmo não tendo poderes e destino para isso. Fecha parênteses. 

É possível achar um livro mediano e ainda assim favoritá-lo? Sim, é possível. Eu simplesmente me encantei com a escrita da autora e me envolvi com a narração. E definitivamente a narração de Alwyn Hamilton vou levar como modelo para a vida toda. 

4 comentários:

  1. Oi, Viviane!
    Eu também acho que, para a mulher ser forte e ter voz, não tem de subjugar os homens. Feminismo é equidade e não um ser melhor que o outro.
    Já li tanta resenha desse livro que vou deixar a bola dele baixar um pouco para poder ler.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe da promoção de aniversário do blog Crônica sem Eira

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  2. Oi Viviane, tudo bem?
    Eu estou muito curiosa em relação a esse livro, achei a capa maravilhosa, e a premissa muito interessante! Fico preocupada com a questão dos "poderes" e do "escolhido" também, está ficando meio batida essa tatica rs.
    De toda forma, ainda vou dar uma chance para o livro, e ver no que dá!

    Beijos,
    Ana | Blog Entre Páginas
    www.entrepaginas.com.br

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  3. Olá! Já tinha visto o livro em alguns lugares mas não conhecia a história. Apesar de vc ter ficado meio na dúvida com um misto de amor e ódio pelo livro, eu me interessei bastante kkkk
    Vou ler depois falo o que achei!
    Beijo!
    http://booksmanybooks.blogspot.com.br/

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  4. Oi Vivi, tudo bem? Eu já tinha visto esse livro por aí e ficado interessada só pela palavra : rebelde hhahhahah. Sou dessas mesmo <3
    Só não curti muito isso que você falou do final :P Fiquei meio assim. Acho que também não iria gostar dessa pegada meio O escolhido.
    Mas acho que de outras coisas eu iria gostar mais do que você. Sei o quanto isso parece horrível, mas eu sou muito egoísta. Tento sempre ajudar ao próximo. Mas se eu tiver que escolher alguém, será eu. Então não gosto desses personagens tão altruístas sabe? "eu morro pelos outros. Outros que eu nem conheço. " Avahhhhh
    hahhaha, então gostei de saber que a personagem tem seu lado egoísta <3
    E saber que tem várias mulheres em destaque? Mais um ponto <3
    Beijooos
    http://profissao-escritor.blogspot.com.br/

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