06/04/2016

Resenha: Admirável Mundo Novo


Título: Admirável Mundo Novo
Autor(a): Aldous Huxley
Editora: Globo de Bolso
Páginas: 312
Onde comprar: Amazon
Mais informações no Skoob
Uma sociedade inteiramente organizada segundo princípios científicos, na qual a mera menção das antiquadas palavras “pai” e “mãe” produzem repugnância. Um mundo de pessoas programadas em laboratório, e adestradas para cumprir seu papel numa sociedade de castas biologicamente definidas já no nascimento. Um mundo no qual a literatura, a música e o cinema só têm a função de solidificar o espírito de conformismo. Um universo que louva o avanço da técnica, a linha de montagem, a produção em série, a uniformidade, e que idolatra Henry Ford.
Essa é a visão desenvolvida no clarividente romance distópico de Aldous Huxley, que ao lado de 1984, de George Orwell, constituem os exemplos mais marcantes, na esfera literária, da tematização de estados autoritários. Se o livro de Orwell criticava acidamente os governos totalitários de esquerda e de direita, o terror do stalinismo e a barbárie do nazifascismo, em Huxley o objeto é a sociedade capitalista, industrial e tecnológica, em que a racionalidade se tornou a nova religião, em que a ciência é o novo ídolo, um mundo no qual a experiência do sujeito não parece mais fazer nenhum sentido, e no qual a obra de Shakespeare adquire tons revolucionários.
Entretanto, o moderno clássico de Huxley não é um mero exercício de futurismo ou de ficção científica. Trata-se, o que é mais grave, de um olhar agudo acerca das potencialidades autoritárias do próprio mundo em que vivemos. Como um alerta de que, ao não se preservarem os valores da civilização humanista, o que nos aguarda não é o róseo paraíso iluminista da liberdade, mas os grilhões de um admirável mundo novo.

Hoje vou tentar falar sobre um livro clássico de um gênero que eu adoro: distopia. Sei que muita gente por aí também gosta do gênero e nunca lêem os clássicos (e okay, afinal isso não te faz mais ou menos leitor); Mas eu quero ler os clássicos deste gênero para entender melhor de onde vem inspirações de livros atuais que eu adoro, por mais que as semelhanças pareçam ser minimas.

Pois bem já começo dizendo para vocês que este não é um livro fácil de ler. Os acontecimentos parecem excepcionais demais e por muitas vezes até fantasioso. E olha que ele possui diversas características que já se assemelham com a nossa época. Mas o problema, para mim, não foi exatamente este e sim a narrativa que acaba sendo um pouco cansativa principalmente para quem está acostumado com leituras mais simples. E não estou dizendo que este seja um livro ruim, muuuito pelo contrário. Ele é um livro que fica na tua cabeça por dias e dias sem você perceber. Sabe, do nada você tá lá fazendo a unha e lembra de um detalhe do livro e se sente perplexo. Bom, pelo menos foi assim para mim. 

O livro é narrado em terceira pessoa e não possui um personagem principal, já que a todo momento o narrador nos conta sobre personagem X ou Y. O que temos são personagens corriqueiros sendo eles Bernard, Lenina e o Selvagem. Os três tem suas características que fazem a história ser o que é, pelo menos foi a impressão que eu tive. Como diz a sinopse do livro neste universo não existe pai e nem mãe e só a ideia deles é uma grande ofensa. Todos são criados em laboratórios e conduzidos desde criança para a sua classe social através de controle mental. O sexo é livre e estimulado, também desde criança. Sim, as crianças brincam nuas e com brinquedos eróticos. A melhor ideia de diversão dos adultos são orgias estimuladas por uso de uma droga chamada Soma (um inibidor de infelicidade).


Bernard é diferente de todas as pessoas de sua sociedade. Ele não acha que as pessoas devam se relacionar com vários parceiros durante a vida, não gosta de consumir Soma e sente algo que pode se dizer que seja paixão por Lenina. Ele odeia ouvir os outros homens comentando sobre seu relacionamento com ela da mesma forma que odeia quando ela comenta sobre seus relacionamentos com outros homens. Lembrando que eles podem ter quantos parceiros quiserem e relacionamento fixo não existe. Além de ter as diferenças psicológicas ele tem as físicas, pois apesar de ser de uma das classes mais altas ele é menor do que seus colegas e não tem um porte tão marcante. Dizem as más línguas que ele foi um erro de criação e tem momentos que o próprio homem acredita nisso, mas não se importa em ser deslocado até o momento que encontra com o Selvagem; este que irá mudar para sempre a vida de Bernard. O Selvagem leva este nome pois não nasceu e nem cresceu nas grandes metrópoles. Ele vive em uma comunidade indígena no interior dos Estados Unidos e sempre teve curiosidade de conhecer a sociedade, que tanto ouve histórias através da sua mãe (que era da sociedade mas por motivos que não irei contar acabou perdida e gravida no meio dos selvagens). Assim como Bernard é diferente em sua sociedade o Selvagem é diferente em sua comunidade. E é por isso que ambos acabam se tornando tão próximos em um primeiro momento. Suas conversas e analises um tanto quanto filosóficas estimulam o leitor a pensar um pouco além do que é mostrado na obra. Onde Lenina se encaixa nessa história? Bom, ela é o maior exemplo de alienação da obra, além de ser o que motiva as atitudes tanto de Bernard quanto do Selvagem.
(...) Não há civilização sem estabilidade social. Não há estabilidade social sem estabilidade individual.

Tá, eu sei que as impressões estão gigantes e provavelmente nem todos irão ler, mas se você chegou até aqui aguenta só mais um pouco. 

Não vou dizer que foi um livro fácil de entender. Em alguns capítulos eu voltava alguns parágrafos pois me sentia até perdida durante alguns diálogos ou trocas de personagens e/ou ambientes. Eu não sei se essa é uma característica do autor ou somente deste livro, mas certamente me incomodou bastante. E sim, diante de tantas coisas que o livro joga na cara do ser humano eu fiquei incomodada com apenas isso. Então, é um ponto positivo para o livro pois cumpre o seu papel (talvez não proposital) de fazer o leitor sair da zona de conforto e pensar um pouco mais. É uma obra que vale a pena ser lida e para quem gosta de ficção cientifica e distopia ela se encaixa muito bem. Se eu lembrei de outros livros ao ler? Sim. Não vou citar quais distopias se assemelham em alguns aspectos com esta mas foi possível ver a pequena inspiração de algumas autoras da nossa época. 
— Mas se os senhores não ignoram Deus, por que não falam dele? — perguntou o Selvagem, indignado. — Por que não permitem a leitura desses livros sobre Deus?
— Pela mesma razão por que não apresentamos Otelo: eles são antigos. Tratam de Deus tal qual era há centenas de anos, não de Deus como é agora.
— Mas Deus não muda.
— Que diferença faz?
— Um Mundo de diferença. (...)

Perdoa meu texto gigante e não desiste do meu blog. ♥

9 comentários:

  1. Cara, esse é, em disparada, um dos melhores livros que já li na vida! Foi a primeira distopia com a qual tive contato, e foi responsável por um mega mindblowing em mim.
    Ao contrário de você, eu já acho que quem se diz fã de distopia e não lê Admirável Mundo Novo não sabe do que está dizendo, pois as "distopias" atuais em nada se comparam com a real essência do gênero, que sempre foi tocar na ferida dos problemas sociais de forma realmente crítica.

    Mago e Vidro

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  2. Já ouvi falar MUITO desse livro, mas até então nunca pensei em ler, apesar de saber que é um livro otimo. Parece ser o tipo que eu ia gostar, eu adoro distopias e atpé agora nenhum me desagradou, tenho certeza que essa tbm não vai :D
    http://b-uscandosonhos.blogspot.com.br/

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  3. Oi Sil! Eu sou fã de distopias, mas ainda não li as clássicas. Este livro pelo visto é complexo e acredito que nem todos vão se sentir tranquilos com a leitura. Eu pretendo conferir ainda esta obra e outras deste autor. Bom saber sua opinião.

    Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  4. Um professor meu me indicou esse livro e estou louca para ler, adoro livros com critica social.

    Abraços.

    aressacaliteraria.blogspot.com.br

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  5. Oiii

    Quero muito ler esse livro, adorei a resenha.
    Não sou muito fã de distopias, li poucas. Essa eu tenho curiosidade devido a tantas resenhas positivas.

    Beijos!

    Cintia
    http://www.devaneiosdeumacindy.blogspot.com.br/

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  6. Sempre vi esse livro e não fazia ideia de sobre o que era... Não estou em um bom momento para ler uma história dessa haha estou num momento meio "sem esperanças na humanidade", esse livro parece ser do tipo que me deixa bem pra baixo rs mas ainda tenho vontade de ler um dia.
    Bjs

    http://restauradordosnervos.blogspot.com.br

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  7. Olá Silviane!
    Não sou fã de distopias mas fiquei bastante curiosa para esse. Gosto de livros que te deixam pensando por dias e dias. Excelente resenha :)
    Bjs

    EntreLinhas Fantásticas - MEGA SORTEIO DE ANIVERSÁRIO! LANÇAMENTO STEPHEN KING + TIMOTHY ZAHN E RENATA VENTURA AUTOGRAFADOS!

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  8. Sou louca pra ler esse livro!
    Como você disse, os livros distópicos estão super em alta, mas eu também ainda não li nenhum clássico do gênero. Comprei recente Neuromancer e com certeza deve ser tão bom quanto esse, afinal, os clássicos são clássicos por um motivo, ne hahaha

    Beijos,
    Giulia | www.1livro1filme.com.br

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  9. Quando eu li esse livro, eu não sabia o que pensar, ele é muito bom, mas eu percebi uns pontos negativos, por exemplo, a trama principal não me prendeu tanto assim, mas a descrição do mundo e como tudo acontece me prendeu de tal forma que eu leria um livro inteiro só explicando mais como é a vida em 632 d.F.

    Abraços!

    Lapso de Leitura

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