05/01/2016

Resenha: Graffiti Moon

A primeira vez que li a sinopse desse livro, lembro que o desejei mais que tudo no mundo. Acredito que uma das razões para a gente amar um livro pela sinopse é justamente por ela sugestivamente nos fazer prever alguma coisa, então esse tipo de previsão pode ser poderosa. E isso mexeu tanto comigo! 


Título: Graffiti Moon
Autora: Cath Crowley
Editora: Valentina
Páginas: 240
Compre: Submarino
Mais informações no Skoob

Sinopse: Um artista, uma sonhadora, uma noite, um significado. O que mais importa?
O ano letivo acabou, aliás, o último ano do ensino médio. Lucy planejou a maneira perfeita de comemorar: essa noite, finalmente, ela encontrará o Sombra, o genial e misterioso grafiteiro, cujo fantástico trabalho se encontra espalhado por toda a cidade. Ele está de spray na mão, escondido em algum lugar, espalhando cor, desenhando pássaros e o azul do céu na noite. E Lucy sabe que um artista como o Sombra é alguém por quem ela pode se apaixonar — se apaixonar de verdade.
A última pessoa com quem Lucy quer passar essa noite é o Ed, o cara que ela tem tentado evitar desde que deu um soco no nariz dele no encontro mais estranho de sua vida.
Mas quando Ed conta para Lucy que sabe onde achar o Sombra, os dois de repente se juntam numa busca frenética aos lugares onde sua arte, repleta de tristeza e fuga, reverbera nos muros da cidade. Mas Lucy não consegue ver o que está bem diante dos seus olhos.

O primeiro capítulo começa com a Lucy correndo pela cidade perseguindo uma pista atrás do Sombra com a ajuda de Al, seu chefe, após ele avisar que o Sombra e o Poeta grafitavam o outro lado da rua onde ficava o seu estúdio, e onde, coincidentemente, Lucy passava parte do seu tempo manipulando vidros. Mas outra vez ela os perdeu! Foi por pouco, por 5 minutos exatamente. Ela quer encontrá-lo porque, convenhamos, a atração começa com a afinidade, assim como o interesse pela curiosidade. Então por ela amar arte, é claro que ficaria curiosa sobre o cara com sensibilidade o bastante para pintar todos aqueles grafites maravilhosos que tanto diziam sobre ela. O que a gente super entende, acontece sempre com os livros. O Sombra parecia alguém ideal para ela, que a entendia, alguém que ela poderia se apaixonar. Mas o Sombra que ela projetava era só uma idealização bem “pés nas alturas”. Ela o endeusava quando ele era apenas um adolescente de dezesseis anos com problemas, um cara que se ela encontrasse, quando encontrasse, não sentiria nada de mágico nele, não o enxergaria. E é essa a grande pegada desse livro.

Tenho que chegar a tempo. Tenho que encontrar o Sombra. [...] O cara que pinta no escuro. Pinta pássaros presos em muros de tijolos, pessoas perdidas em florestas fantasmas. Caras com corações feitos de grama e garotas empurrando cortadores de grama. Por um artista que pinta essas coisas, eu poderia me apaixonar. Completamente.

É um livro de narração intercalada em três personagens (Lucy, Ed e Poeta), então você descobre que os problemas deles podem muito bem ser o de qualquer pessoa. Lucy, por exemplo, seus pais têm problemas, e deve ser um saco vê-los brigando e dormindo separados. Mas ainda assim ela tem os dois, diferente do Ed que só tem a mãe morando num bairro podre, e que se revira para sustentar a casa sozinha. Mas pior ainda é o Leo, o Poeta, tadinho, que mora com a avó e tem um irmão muito querido e bonzinho, porém mexe com besteiras (só que a parte da narração dele é só poesia, por isso “poeta”). Quanto a esses dois últimos, a vida deles não é ruim porque não têm a presença constante dos pais. É angustiante porque eles vivem em um ambiente hostil, aqueles bairros com traficantes cuja juventude é propensa a ser surrupiada por falta de oportunidade, e você fica vigiando a vida deles enquanto eles estão tentando remar contra a maré. Ficar angustiada porque eles estão pensando em tomar o caminho mais fácil quando é o caminho por onde eles nunca deveriam ir. 

O livro pode servir como instituição, instrumento, mas ele é mais do que isso. O grande erro nas resenhas críticas é não considerarem o público alvo. É tudo sobre eles. Por exemplo, nesse livro, o Ed, o outro protagonista, tem dislexia, que é quando a pessoa não consegue escrever, não porque ela não sabe, mas porque simplesmente não consegue. E ele é tão mal interpretado por isso! Então os docentes, os discentes, apenas pensam que ele não quer nada com a vida. É tão, tão ruim ver que esse livro tem uma média de avaliação tão baixa no Skoob (contraditório para os prêmios culturais que ele ganhou lá fora). Porque ele fala sobre um personagem marginalizado, especial, e que poderia ser qualquer um. Pessoas que carecem de inspiração não precisam de personagens perfeitos, precisam de um reflexo do que elas podem ser. Querem algo mais... 
 Meu cachorrinho e gatona bem ali.

Mas ao contrário do que eu devo ter demonstrado, o livro é tão leve! A narração é tão poética, tem forma, tem cheiro e cor. Por um lado temos a Lucy com seus vidros, o Ed com seus grafites, o Leo com suas poesias. O drama nem existe de fato, ele é só um detalhe (o que não deixa o livro muito pesado); o foco mesmo é na aventura de uma noite quando esses três se encontram, aí junta as duas amigas da Lucy, com mais dois amigos do Ed (incluindo o Leo), e temos aí três casais envolvidos em uma noite muito bagunçada. É quando a gente descobre que Lucy e Ed já se conhecem! Sim, e tudo começa a ficar divertido, mais divertido a Lucy ficar comparando o tempo todo o Ed com o Sombra e ficar jogando isso na cara dele. Numa noite mesmo acontece tanta coisa. Lucy e Ed se unem para encontrarem o Sombra, enfrentam uma festa, a presença psicológica de uma ex-namorada, são perseguidos a noite toda por um bandido muito malvado, e quando finalmente são alcançados, eu fiquei muito, muito nervosa com o quanto nossos pombinhos estavam expostos ao perigo. E então tem o grande erro da noite, e essa foi a parte – e talvez da história dos livros – em que eu torci por um final que não fosse aquele.

Enquanto a gente caminhava para o cinema, eu mencionei O Sol É para Todos. Ele fez um silêncio maior do que o silêncio que estávamos antes. E agarrou minha bunda.
— Merda — gritou ele quando lhe acertei uma cotovelada no rosto. — Merda, acho que você quebrou o meu nariz.
— Você não devia ter pegado na minha bunda. Não se faz isso num primeiro encontro. O Atticus Finch nunca faria isso.
— Você tem namorado e está saindo comigo? — berrou ele.
— Não!
— Então que porra de Atticus Finch é esse?
— É do livro que a gente está lendo na escola.
— E você vem falar de livros? Comigo aqui sangrando pela rua? Merda. Merda.
Esta resenha não tem pontos negativos a apresentar, apesar da possibilidade de algumas pessoas mais exigentes o acharem simples pela forma que é escrito ou pelo enredo. Mas vale considerar aquele efeito fixo que ele causa na gente e na sensação de estarmos assistindo a um filme Indie, e vale também dizer que não existe uma forma de arrepender de ler esse livro. De qualquer forma tenho certeza de que lhe servirá, seja como passatempo, pela história ou pelo casal - principalmente pelo casal. Escolhi justamente escrever essa resenha porque Graffiti Moon é uns dos meus livros favoritos, e estou indicando esse livro porque ele vale a pena ser lido. Porque ele tem algo a dizer. 

Obs: E porque ele é super romântico.

12 comentários:

  1. Jesus apaga a Luz! Essa leitura promete! Já entrou na minha lista. Beijos
    Paty leiturasplus.blogspot.com

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    1. Leia, sim! E depois vou lá ler sua resenha. Com certeza você não vai se arrepender.

      beijos!

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  2. Oi, Vivi.

    Nunca tinha lido nenhuma resenha sua e, meu Deus, amei demais. Uma das melhores resenhas que já li, super completa e opinativa. Gostei muito de tudo o que escreveu, especialmente dos personagens e de cada um ser especificado de uma forma (amei o Poeta haha). Com certeza, quero m-u-i-t-o ler! Achei a proposta bem diferente em relação à maioria dos títulos que vejo da Valentina. Sendo YA já me conquista de cara, cê sabe hahaha. Espero acompanhar seu trabalho por aqui mais vezes :)

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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    1. Ai, Nina! Acho que sou apaixonada por você, hahaha. <3 Sim, bem diferente das propostas da maioria dos livros. É uma apresentação de coisas sérias por meios de coisas fofas, engraçadas e românticas. É claro que sei, esse livro foi feito para você!

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  3. A parte da paixão pela arte me lembrou uma série chamada Switched at Birth, retrata bem toda a inspiração e tudo mais. Eu também fico aflita quando vejo resenhas totalmente sem fundamento pelo skoob, e concordo sobre o ponto principal disso estar no público alvo. Acho que certas pessoas não sabem apreciar a obra da forma devida, reparar nos detalhes que o autor quis passar, mas você conseguiu mostrar isso direitinho na resenha, fiquei bem curiosa!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/
    Tem resenha nova no blog de "Só por hoje e para sempre", vem conferir!

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    1. Switched at Birth? Opa, adoro indicação. <3

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  4. Olá :)
    Eu sempre achei a capa desse livro interessante e sabendo agora do que se trata me faz querer lê-lo mais, ainda não tinha lido nenhuma resenha do livro, simplesmente adorei a premissa!
    Beijão,

    http://livrosentretenimento.blogspot.com.br/

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    1. Jura? Feliz aqui que você quer lê-lo. :)

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  5. Oie,
    não conhecia o livro e confesso que pela capa passaria bem longe, mas gostei da resenha, parece ser um livro bem romântico e lindo.
    Dica anotada.

    bjos
    http://blog.vanessasueroz.com.br

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  6. Sil, essa coisa da protagonista endeusar o Sombra foi o que fez eu me irritar um pouco com a protagonista, esse início nada "pé no chão" dela foi um balde de água fria, ainda assim amei a obra. Confesso que não me lembrava de alguns pontos que você ressaltou e pelo que li na minha resenha eles não me chamaram atenção quando eu li, mas como vc disse o foco da história não é o drama então fiquei mais aliviada por ter esquecido ou não dado importância rsrsrs. Ótima resenha!

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    1. Sério que isso te irritou? hahaha, tá vendo? Ela fica cega mesmo por um tempo, até que ela é conquistada pelo Ed. <3

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